A retaliação nesta sexta-feira, 4, da China ao tarifaço dos Estados Unidos, anunciado esta semana, eleva a preocupação nos mercados financeiros de uma recessão nos EUA e com consequências mundiais, deteriorando ativos de risco. Nesta linha o Ibovespa já perdeu 4 mil pontos entre a máxima de abertura em 131.139,05 pontos e a mínima aos 127.139,11 pontos (-3,05%). Só seis ações subiam, de um total de 87.
"Os últimos três dis foram complicados. As tarifas americanas afetam uma cadeia de suprimentos como um todo no mundo. Vemos desastre dos mercados. Lado bom é que o Brasil ficou com a taxa mínima de 10%. Dos males o menor", diz Pedro Moreira, sócio da One Investimentos. "Hoje há uma realização forte do Ibovespa", completa Moreira. Em março, o principal indicador da B3 subiu 6,08%.
Já as bolsas norte-americanas caem em torno de 3,50% e as europeias acima de 4,00%, com o petróleo recuando até 8,00%. Hoje, não houve negociação com o minério de ferro em Dalian, na China, por feriado. ADRs de empresas chinesas despencam em Nova York.
"O impacto maior é para os Estados Unidos e para a China", avalia Bruno Takeo, estrategista da Potenza Capital. "Continua a tese que o Brasil se beneficia disso", completa, mas ponderando que o lado ruim é que efeitos sobre a economia americana e chinesa contaminam o crescimento global mais para frente.
Aqui no Brasil, tampouco a queda dos juros futuros na esteira dos rendimentos dos Treasuries alivia, dado o temor de um desaquecimento abrupto nos EUA com impactos em todo o planeta. Neste cenário, o dólar já subiu à máxima de R$ 5,7904 após ontem ceder ao menor nível desde outubro.
Enquanto ontem as bolsas em Nova York tiveram a maior queda desde março de 2020 com o tarifaço do presidente norte-americano, Donald Trump, o Ibovespa fechou com recuo de 0,04%, aos 131.140,65 pontos, com baixa de 0,58% na encurtada primeira semana de abril. Agora, contudo, já eleva a desvalorização semanal a 3,55% e cai 2,33% no mês.
Às 11h16 desta sexta-feira, caía 3,30%, aos 127.170,63 pontos. Só seis ações subiam, de um total de 87.
A despeito da visão de que o Brasil tende a ser menos afetado pela imposição de tarifa mínima de 10% pelos EUA, enquanto outros países como a China foram sobretaxados em 34%, o temor de desaquecimento mundial contamina principalmente a Bolsa e o dólar. Pela manhã o governo chinês contra-atacou.
A China anunciou que vai impor tarifas de 34% a todos os bens importados dos Estados Unidos após o tarifaço de Trump, a partir do próximo dia 10.
Ainda, o gigante asiático suspendeu importações de duas empresas de carne de aves dos EUA.
"As duas maiores economias acabam de efetivar uma guerra comercial", diz Alison Correia, analista de investimentos e sócio-fundador da Dom Investimentos, em nota.
A notícia acentuou as perdas dos índices de ações internacionais, dos rendimentos dos Treasuries e do petróleo, que renovou mínima ao menor nível em três anos. A commodity chegou a ceder mais de 8% em Nova York e perto dessa marca em Londres. Mas depois da divulgação do payroll, com uma geração de vagas de emprego acima da esperada nos EUA, os mercados acionários reduziram as perdas assim como o petróleo. Depois, voltaram a piorar na esteira das afirmações de Trump.
Em resposta à retaliação da China aos EUA, Donald Trump disse que o gigante asiático "jogou errado e entrou em pânico, o que não podiam fazer", disse o republicano. "Trump agiu, trucou e a China trucou e gritou 6", diz o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus, aos usar uma expressão que faz referência ao jogo de truco.
Às 11h22, o Ibovespa caía 2,86%, aos 127.373,04 pontos. Com o recuo de até 8,50% do petróleo, ações do setor lideravam as maiores perdas da carteira. Brava cedia 13,49% e Prio, -9,31%, recuos seguidos por CSN ON (-8,51%) e Vamos ON (-8,51%). Vale caía 4,34%. "Hoje nem bancos ajudam", acrescenta Laatus. As quedas no setor estavam em torno de 2,00% em sua maioria.
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